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Domingo, 20 de Maio de 2007

Uma vida

Faz hoje 9 meses que perdi uma das pessoas mais queridas que tinha na minha vida e tenho de confessar que a recuperação está a ser muito complicada. Mas achei  que a melhor coisa que podia fazer para homenagiar uma grande mulher (toda a gente que a conhecia dizia isso) seria contar a sua vida, aqui no meu blog, para que ficasse imortalizada para sempre nas ondas da internet. E quando eu terminar, vocês vão ver se a minha mãe foi ou não uma grande mulher....

 

A minha mãe foi a 12ª a nascer, filha que um casal que teve ao todo 13 filhos, sendo que a adultos só chegarm 8, estando neste momento apenas vivos 4. A vida nessa altura não era nada fácil e os meus avós viviam do que lhes dava a terra ou das ceifas, das searas ou da apanha do tomate, tudo emprego sazonais. Todos os filhos eram bons para puder ajudar a ganhar a vida mas a minha mãe não tinha jeito para a vida do campo. Começo a andar por volta dos 3 anos e só nessa altura lhe nasceram os 1ºs dentes. E mesmo depois de começar a andar, andava sempre a cair e a agricultura foi posta de parte. Ajudava na lida da casa desde pequena e tomava conta dos sobrinhos. Por volta dos 12 anos foi para casa de uns primos ajudar nas limpezas e nos cozinhados, mas era mal tratada, pois a senhora fazia-a passar fome, até um dia desmaiou de fraqueza. Os meus avôs foram informados e tiraram-na de lá. Reparem que eles faziam os filhos trabalhar desde tenra idade mas não era por isso que os amavam menos, antigamente era assim com toda a gente, qual trabalho infantil, qual quê, a vida era assim e pronto.

 

E os meus avós eram tão engraçados. Felizmente que eu os conheci, ao contrário dos meus avôs paternos (o meu avô faleceu antes de eu ter nascido e a minha avó quando eu tinha 2 anos de idade). A minha avó era pequenina, gordinha e muito faladora. O meu avô era alto, mais alto do que qualquer um dos netos, muito calado e sério, bastava um olhar reprovador dele e toda a gente ficava em sentido. Mas falarei mais eles um pouco mais à frente.

 

Aos 14 anos a minha mãe veio para Lisboa, para casa de uma tia que tinha ficado viuva recentemente e que não tinha filhos. Veio ajudar na lida da casa e aprender o oficio da minha tia: costureira. Foi aqui que ela conheceu o meu pai, que era sapateiro e trabalhava numa oficina em frente da casa onde ela morava. Casaram quando a minha mãe tinha 21 anos de idade. Claro que quiseram ter filhos, mas só 10 anos depois apareci eu, quando já nem contavam comigo. Naquela altura não havia a preocupação de se perceber porque não se tinha filhos, nem sequer os meios para isso, mas a minha mãe disse-me que o meu pai ainda fez um espermograma, não me disse foi o resultado, de qualquer maneira, aqui estou eu.

 

Mas não pensem que a vida foi fácil, não foi não. Quando eu tinha 5 anos, o meu pai teve um AVC e ficou paralisado do lado esquerdo do corpo. Apesar de criança, lembro-me bem desses dias. Eu tinha sofrido um pequeno acidente uns dias antes (tinha espetado um alfinete na perna e fui operada para o tirarem, o que não aconteceu, pois ainda vive comigo...) e tinha a perna com ligaduras e lembro-me de entrar no quarto dos meus pais e de algo não estar bem. Fui para casa dos meus padrinhos e brinquei tanto que as ligaduras cairam e eu fiquei proecupada com o que tinha feito.

 

O meu pai ficou internado muitos dias e quando finalmente saiu, nada voltou a ser o mesmo. Tinha muita dificuldade em andar e lembro-me que nem na cadeira acertava para se sentar, caia no chão e era a minha mãe que tinha de o ajudar a levantar. Com fisioterapia e muita força de vontade o meu pai voltou a andar quase normalmente, apenas arrastando a perna um bocadinho. Mas o braço, esse nunca mais se mexeu. Com o desgosto, entregou-se ao alccol e muitas vezes, eu e a minha mãe percorriamos as ruas à procura dele, para o encontrar caido numa valeta e lá o levantavamos e levavamos para casa de novo. Ficavamos tristes com ele, mas ele dizia que não voltava a faze-lo e claro, como não perdoar a alguém que se ama tanto, como nós amavamos o meu pai? Claro que a história repetia-se, às vezes logo no dia seguinte, mas nós acreditavamos sempre que essa era a ultima vez que tal acontecia.

 

O dinheiro também não abundava, pois a reforma por invalidez do meu pai mal chegava para os remédios que tomava, a minha mãe não podia trabalhar fora de casa pois tinha de tomar conta do meu pai e eu era uma criança. Tinhamos também a reforma da minha tia mas também era muito pequena. Felizmente a renda da casa era baixa e tinhamos ajudas dos meus tios, que traziam sempre legumes e hortaliças e dos meus padrinhos, que ajudavam na minha educação. Mas hoje olho para trás e nem imagino a ginástica que a minha mãe tinha de fazer, para que não nos faltasse comida na mesa. Roupa nova nunca tinha, era tudo em 2ª mão e arranjado pela minha mãe e brinquedos só no Natal e pelos anos. Mas eu era feliz, apesar de tudo.

 

Tinha eu uns 13 anos quando a minha avó teve também um AVC e ficou como o meu pai. Como era bastante idosa (tinha 80 e tal anos) deve de passar a estar um mês em casa de cada filho, bem como o meu avô. Os meus tios e tias não se compadeceram da minha mãe, por ter o marido doente, por isso de 7 em 7 meses (já tinha falecido um dos meus tios) a minha casa parecia um lar de 3ª idade. A minha mãe sempre tentou poupar-me a tudo, ajudando apenas no essencial.

 

Mesmo assim a porta da casa da minha mãe estava sempre aberta para acolher tios, tias e primos que vinha da terra a Lisboa, para consultas médicas ou só de férias. Tinha sempre um sorriso nos lábios e os braços abertos para receber toda a gente.

 

Os meus avôs faleceram, tinha eu uns 17 anos. 1º a minha avó (repetiu-se o AVC) e depois o meu avô, 6 meses depois, ele pura e simplesmente desistiu de viver, meteu-se na cama e nunca mais quis comer nem beber, dizia que não tinha razão para viver e acabou por morrer. Foi um peso a menos para a minha mãe mas todos lamentamos a sua partida.

 

Mais ou menos nessa altura foi detectado um cancro na prostata do meu pai. Foram 2 anos complicados, exactamente o tempo que os médicos disseram que ele ia viver. Comecei a trabalhar aos 18 anos, apesar de os meus padrinhos me terem proposto pagar o curso que eu quizesse, eu tinha de ajudar os meus pais. E o dinheiro do meu salário ia quase todo para a medicação do meu pai. Mas valeu  pena e nunca, nunca me arrependi de tal. Faleceu quando eu tinha 19 anos e foi o realizar do pesadelo de todos os filhos que amam os seus pais.

 

Entretanto a minha tia, em casa de quem estavamos, ficou com Alzaimer e armava confusão o tempo todo. Eu estava a atravessar a minha adolescência e claro, sou igual a toda a gente e tive a minha fase um pouco mais rebelde, mas acho que ne correu mal de todo. Estava a estudar de noite e a minha tia faleceu quando eu tinha 24 anos. Era como uma mãe para mim e eu sei que fui a neta muito querida que ela nunca teve. Mas tenho de dizer que foi um alivio para a minha mãe.

 

Assim que tal aconteceu, o senhorio aumentou-lhe logo a renda, para um valor superior ao da reforma que a minha mãe tinha. Enquanto eu estive em casa, tudo bem, depois casei 2 anos depois e tive de continuar a ajuda-la. Ela lá fazia uns trabalho de costura, para o que tinha imenso jeito, tinha uma imaginação e sabia sempre o que ficava bem a cada corpo. Se tivesse nascido uns anos mais tarde e a vida lhe tivesse sorrido, sem duvida que teria uma marca de roupas com o seu nome e seria um sucesso. E não queria que eu lhe desse o dinheiro, por isso tratava da minha roupa e ajudava a limpar a minha casa.

 

Sempre lhe quis dar netos e sinto-me muito feliz por ela ter conhecido o seu neto, apesar de por uns breves 18 meses. Quando ele nasceu, ela nem quis saber de mais nada, já estava implicito que ia ser ela que ia tomar conta dele. Foi também ela que tomou conta da minha afilhada até quase aos 4 anos, altura em que ela entrou para o infantário e ela adorava a minha mãe, depois da mãe, vinha sempre a minha mãe, a sua Ju.

 

Em Junho do ano passado ela foi ao médico e queixou-se com perdas de sangue. Mais tarde confesso-me que já as tinha uando o JD nasceu mas como as análises e tosos os exames que fazia de rotina estavam bem, acho que eram hemorroidas e não ligou. Mas as perdas aumentaram de intensidade e frequenência e como tal foi fazer uma rectoscopia e logo uma biópsia. Foi-lhe detectado um cancro entre o recto e o cólon e deveria ser operada e fazer quimioterapia e radioterpia antes e depois. Mas não chegou lá. Só sei que quando a vida a estava finalmente a tratar bem, tudo acabou para ela. Não foi uma vida fácil, mas acredito que apesar de tudo, tenha sido uma vida feliz e que eu e o meu filho tenhamos contribuido para isso.

 

Por isso, se o Céu existe, ela está lá de certeza, pois merece-o e muito mais pela pessoa que foi e que deixou saudades e uma marca boa na vida de toda a gente que a conheceu. Nunca soube de nenhum inimigo que tivesse e sempre apazigoava as pessoas quando as coisas corriam menos bem. Era uma boa alma e partiu cedo demais. Uma amiga minha que acredita na vida depois da morte diz que foi por ela ser boa demais, por isso faleceu tão cedo, já tinha cumprido o seu destino na terra. Eu oiço todas as versões e continuo a dizer que ela merece o melhor que possa existir e que tenho a certeza, que onde quer que esteja, ela sabe que eu a amo muito e que tenho muitas, muitas saudades dela.....

publicado por era1xeu às 19:47

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