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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Há 2 anos atrás....

Foi o pior dia da minha vida. Perdi a minha mãe, que além de mãe querida, com quem tinha uma relação muito boa, era a minha melhor amiga, em quem eu confiava a 200% e que tinha sempre uma palavra amigas nas minhas horas mais dificeis.

 

Foi tudo tão rapido, foi tudo tão subito e inesperado. Quando as pessoas tem doenças muito prolongadas ou tem já muita idade, acabamos por estar à espera, apesar de nunca estarmos verdadeiramente preparados para estas fatalidade.

 

Mas não, nada disso se passava. Em Junho tinha sido detectado um tumor nos intestinos da minha mãe. Fiquei tão revoltada! Tinha pedido o meu pai aos 19 anos, com um cancro na prostata, a minha mãe també, nem queria acreditar. Fez montes de exames e estava à espera que a chamasse para fazer quimio e radioterpia, antes de ser operada.

 

No dia 16 telefonou-me a dizer que não se sentia bem. Tinha falta de ar e muita tosse. Eu estava de férias e fui te com ela e levei-a ao Centro de Saude. Era Agosto, está toda a gente de férias e quase um dia inteiro de espera para lhe dizerem que devia ser uma bronquite e lhe receitarem um antibiótico.

 

Troxe-a para a minha casa. Mas custou-lhe muito subir as escadas. Não tinha forças para nada. Sempre na cama, dizia que se sentia mal. Se a conhecessem, era uma mulher cheia de vida, para estar assim, era porque não se sentia mesmo bem. E eu sem saber o que fazer, chorava à noite à porta do quarto onde ela dormia e onde ia só para a ouvir respirar e saber que estava viva.

 

Dia 18 melhorou. Fiquei tão feliz. Se calhar os medicamentos estavam a fazer efeito. Ela chorou ao jantar, por não ter forças nem para levantar o prato da mesma.

 

No sábado de manhã sentia-se tão mal e cansada que chamei uma ambulância e levei-a ao hospital. Desmaiou na sala de espera e foi logo encaminhada para o SO. Fiquei cá fora á espera. Nunguém me dizia nada. Pelas 19h 30m fui perguntar por ela. Levei um raspaneta do senhor do atendimento, as urgências não são salas de visitas. Eu só queria saber dela. Não tinha noticias à quase 8 horas.... Finalmente chamou-me um médico. Disse que eu a podia ver. Não sabiam bem que tinha tido mas suspeitavam de algo no coração ou nos pulmões. Ia ficar essa noite em observações no SO.

 

Fui ve-la. Estava animada. Disse que estava a ser muito bem tratada e que agora é que ia ficar tudo bem. Sabia que ali é que iam resolver o problema dela. Eu pouco lhe falei, só a ouvia e bebia as palavras dela. Ela insistia que eu me fosse embora, tantas horas longe do meu menino e ele de certeza a precisar de mim. Sai de lá mais feliz, certa de que tudo se ia resolver... Foi a ultima vez que a vi com vida.

 

Na manhã seguinte telefonei, tal como me tinham dito para fazer. Não tinham ninguém no SO com o nome dela. Perguntei se tinha sido transferida para um quarto. Disseram que era melhor ir lá para falar pessoalmente. E eu feita tonta, a pensar que já estav num quarto e bem melhor.

 

Sem pressas, metemos-nos os 3 ao caminho e disse ao meu marido para ficar num ardim que há no hospital, com o menino.

 

Quando cheguei ao balcão, dei os dados dela e me perguntaram se tinha vindo acompanhada, caiu-me tudo aos pés. A noticia não ia ser boa, de certeza. Mas acreditem que mesmo assim, não pensei no pior.

 

Um médico chamou-me, disse-me que ela tinha tido uma paragem respiratória às 3 da manhã e não a tinha conseguido reanimar. Nem acreditei, como era possivel? Não sabiam porquê, só com autopsia. Não quis. Não ia mudar nada...

 

Chorei, chorei como nunca chorei na vida e ainda choro. Durante dias e dias vivi dormente, sem acreditar no que me tinha acontecido. Cada vesz que o telefone tocava, tinha sempre esperança que tudo tivesse sido um sonho mau e que fosse ela a ligar. De tal maneira que mandei desligar o telefone fixo. A minha mãe, que tanta falta me fazia e ao meu menino também, pura e simplesmente tinha deixado de existir. Que teria feito eu para merecer tal castigo?

 

Só à pouco tempo comecei a conseguir falar dela sem chorar. Devia ir mais vezes ao cemitério mas não consigo, é doloroso demais. Sai de lá sempre lavada em lágrimas e a perguntar porquê. A minha mãe tinha 68 anos e uma vida linda para viver, ao lado do neto que tanto desejou e tanto amava.

 

Minha querida mãe, sinto tanto a tua falta, era um farol na minha vida, que me guiava, que me dava todo o seu amor sem pedir nada em troca. Foi tão dificil continuar a viver sem ti... Só mesmo o meu filho me deu forças para seguir em frente.

 

Passaram 2 anos, desde que te vi com vida pela ultima vez mas podem passar 200 que nunca, nunca te esquecerei, nunca deixarei de pensar em ti, um unico dia da minha vida. Estás viva dentro de mim, dentro do meu peito e o meu amor por ti é infinito. Mãe, porque te foste embora? Porque me deixaste aqui sozinha, preciso tanto de ti, fazes-me tanta falta, nem que seja só para conversar um bocadinho... Adoro-te, minha mãe querida, meu anjo.

 

  

 

publicado por era1xeu às 00:08

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35 comentários:
De ludy a 20 de Agosto de 2008 às 10:08
:(
De Golfinho a 20 de Agosto de 2008 às 10:29
Não há palavras que possam aliviar a tua dor... E a dor nunca vai desaparecer, só resta mesmo aprender a viver com ela e com a saudade....

Lembro-me bem deste dia. Estava grávida da Mariana e soube através do fórum. Não queria acreditar que fosse a tua mãe. Pensei que não eras tu, que eu estava a fazer confusão... Infelizmente, a tua resposta ao meu mail, confirmou o pior... O inesperado ainda me chocou mais...

Um beijinho muito, muito grande....
De Tété a 20 de Agosto de 2008 às 10:59
Perdi o meu pai para o cancro depois de 2 anos à espera que a doença o levasse e passados 10 anos ainda não me convenci…
Agora tento imaginar o que aconteceu com a tua mãe e é realmente muito triste perder a mãe nessas condições e tão subitamente…
Sabes que o tempo ajuda a que aceitemos a perda e aprendesse a viver com a dor que fica mais suportável.
Mas sempre que te apetecer chora, grita e berra porque isso faz parte de um luto que deves viver para que possas avançar, sem nunca esquecer, claro!
Xi coração MUITO apertado!
Beijos
Tété & Xavier
De Cristina a 20 de Agosto de 2008 às 12:36
Um beijo muito grande!

Cristina
De mudeidevida a 20 de Agosto de 2008 às 13:07
Tens uma estrelinha no ceu a brilhar ainda mais que todas as outras. E esta é só tua.

Um beijinho
De me a 20 de Agosto de 2008 às 15:53
Olha amiga só te consigo mandar um beijinho!
Penso que ao escreveres este post também te ajudou a acalmar o coração.
Beijinho grande
De sara a 20 de Agosto de 2008 às 16:19
Ai amiga, não sei o que te dizer, apenas quero-te mandar um grande xi-coração bem apertadinho.
Esteja a tua mãe onde estiver está muito orgulhosa de ti e do neto lindo que lhe deste.
Um beijinho muito grande
De luxas a 20 de Agosto de 2008 às 16:36
Olá
Minha querida ao ler o teu post fiquei com as lagrimas nos olhos, pk eu já vivi isso felizmente mão foi com a minha mãe, mas foi com os meus avós. Foram eles que me criaram, foram eles os pilares da minha vida, eram os meus segundos pais. Tinham um amor por mim como filha e eu por eles como pais. Morreram os dois no mesmo dia. Já se passaram 7 anos e continua a tristeza no meu peito. Também não vou ao cemiterio, apesar de não saber onde eles se encontram pk nunca foram encontardos, temos uma foto deles numa campa, mas não gosto de lá ir. Quero recorda-los vivos e lindo. Este ano foi o meu casamento e eu não consegui encarar a dura realidade e não os ter. De não ter ao meu lado quem me viu nascer, não conseguia encarar essa dura realidade, entrei em deprresão com ataques de pânico, quase em esgotamento, dois meses antes do meu casamento. Foi ai que me ensinaram a ver as coisas por outra forma. Agradeço muito a essa pessoa que me fez acreditar em coisas que nem me fazia passar pela cabeça. Ela disse-me sempre que tens uma borboleta ou um passaro a rodar-te são eles que estão presentes. No dia do meu casamento logo de manha vi uma borboleta ao meu lado quando ia á cabeleireira, entou uma alegria em mim pk senti k eles me iam acompanhar durante a festa. E é assim k agora encaro esta dura realidade.

Escrevi isto com lágrimas nos olhos pk a nossa dor não sai, mas podemos atenua-la, faz como eu.

Se precisares de mim vai ao meu blog.

Um beijo enorme, fica bem :)
De Anónimo a 20 de Agosto de 2008 às 17:28
Minha querida Maria, acabei de ler o teu post e as lágrimas caiem-me pela cara, a sorte é que estou sozinha aqui no trabalho, não consegui controlar a emoção, sei o que a minha Mãe significa para mim, o mesmo que a tua significa, sim, porque ela continua a olhar por ti, está longe, mas está sempre presente, não duvides!

Eu nem posso imaginar a tua dor, a minha Mãe também é um pilar muito grande na minha vida, é a minha melhor amiga e cada palavra tua, senti um aperto tão grande, que consegui imaginar a tua dor!

A saudade é muita, mas amiga, a Tua querida Mãe está a olhar por vocês, daí os tais "problemas" nunca serem tão graves e se pensares nisso assim, vais sentir a sua presença todos os dias, acredito nisso!

Um grande beijinho no teu coração, lamento tanto!
Cakuxa
De mar a 20 de Agosto de 2008 às 18:31
:(((((
Um beijo doce

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