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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Dia do Pai

Deixei de comemorar o Dia do Pai à 19 anos atrás, quando o meu pai faleceu. Passou a ser um dia como os outros todos, em que era como se eu estivesse de fora a ver todas a pessoas felizes e a dar prendas aos seus pais. Aprendi a lidar com isso, até porque tinha 19 anos, era adolescente e queria era boa vida. Cresci e acho que passei a sentir mais a falta dessas comemorações fazerem sentido para mim. O Dia do Pai voltou a ter outro significado quando o meu filho nasceu, voltei a dar-lhe importancia por causa dele e do meu marido. Hoje estive a pensar que neste momento, metade da minha vida já foi vivida sem o meu pai e a falta que isso me fez. Por isso hoje vou falar dele, numa homegem sentida com muita saudade.


O meu pai nasceu na zona da Serra da Estrela e veio para a região de Lisboa aprender a profissão de sapateiro. Conheceu a minha mãe e casou com ela quando tinha 29 anos. Era uma pessoa muito activa, jogava futebol e praticava ciclismo. Tinha uma pequena lojinha de sapateiro, onde arranjava o calçado, mas era generoso demais e como conhecia todas as pessoas no bairro, havia sempre quem se aproveitasse disso e ficasse a dever o trabalho. Como tal existia sempre muito pouco dinheiro e os meus pais moravam em casa de uma tia da minha mãe, que era viuva e não tinha filhos.


Ao fim de 10 anos de casamento nasci eu. O meu pai queria um menino, para jogar futebol como ele, mas depois de me ver, apaixonou-se por mim e adorava-me! Passado algum tempo vendeu a loja e começou a trabalhar no Pão de Açucar (actual Jumbo) e a vida parecia estar a melhorar para a minha familia.


Infelizmente o meu pai teve um trombose quando eu tinha 5 anos e ficou paralizado do lado esquerdo. O braço nunca mais o mexer e a perna, com fisioterapia e por ser ainda jovem, lá a conseguia mover, mas sempre a coxear. Foram tempo dificeis para nós, eu era pequena, o dinheiro era pouco, pois a pensão do meu pai era miserável e a minha mãe não podia trabalhar fora de casa para tomar conta dele. O meu pai entregou-se ao alcoolismo e graças aos falsos amigos que lhe pagavam uns copos de vinho e depois de divertiam com a sua desgraça, muitas vezes eu e a minha mãe fomos buscar o meu pai a uma valeta caido. Como tinha dificildade em se equilibrar, cai e por lá ficava, pois ninguém o ajudava. Ficavamos zangados com ele, mas amavamo-lo tanto, que no dia seguinte, e depois de ele dizer que não tornava a fazer, ficava tudo bem de novo. as dificuldades eram pois muitas e ainda hoje não sei como os meus pais conseguiram sobreviver, mas o amor que tinhamos uns pelos outros ajudava a ultrapassar os momentos menos bons na nossa vida.


 

Quando eu tinha 16 anos, foi detectado um cancro na próstata ao meu pai. Uma desgraça nunca vem só, certo? O médico que o examinou e detectou o problema era nosso amigo e disse que não valia a pena fazer nada, que o meu pai tinha 2 anos de vida e que o que tinhamos de tentar era que este tempo fosse o mais confortável possivel para ele....


 

Começei a trabalhar aos 18 anos e 95% do meu salário era para os medicamentos do meu pai. Nunca lamentei nem uma só vez o pouco dinheiro com que ficava na carteira e acredito que fiz tudo para que ele se sentisse melhor. Os 2 anos seguintes foram passados entre periodos de internamento hospitalar e algum tempo em casa. A medicação ajudava a diminuir-lhe as dores, mas era inevitável e um mês antes de eu completar 20 anos, o meu pai faleceu. Lembro-me desse dia como se fosse hoje. Estava internado e fomos ao hospital para mais uma visita. A cma estava vazia e no corredor havia um biombo. Fui espreitar e lá estava ele já sem vida....


 

Mesmo ao fim destes anos todos sinto a falta dele. No fundo nunca tive um pai igual à outra pessoas, mas sempre me deu muito amor e carinho. Era muito afectuoso e adorava dar-me miminhos. A minha mãe era mais arisca nesse sentido e nós os dois inundaamo-la de beijos e mimos até ela se render. Bons momentos que recordo com saudade.


 

Quando olho para o meu filho, acho-o muito parecido com o meu pai: Os mesmos modos carinhosos, os olhos claros e expressivos, o sorriso fácil. Tenho pena de o meu pai não ter estado presente em tantos momentos importantes da minha vida, como o terminar o meu curso, o meu casamento ou o nascimento do neto. Mas nesses dias ele esteve sempre presente no meu pensamento. O seu neto é o filho que ele sempre quis e não teve, no fundo foi um desencontro, destes que a nossa vida tanta vez tem.


 

Não sei se existe algum sitio melhor do que este onde estamos agora, ou se existe mesmo alguma coisa depois da morte, mas acredito que enquando nos lembrarmos dos pessoas, elas estão vivas no nosso pensamento e na nossa memória e enquanto eu for vida, meu querido pai, não será esquecido!!!! E aqui fica a minha homenagem para ti.....



 

E claor, que deixo aqui também uma beijoca grande para o outro pai que existe na minha vida, o pai do meu filho, que eu amo muito, muito, muito!!! Feliz dia do pai para ti, meu querido!


 

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publicado por era1xeu às 11:42

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24 comentários:
De Ana Luísa a 19 de Março de 2008 às 12:15
Consegues deixar-me sem palavras...arrepiada!
Transmites muito amor e muita paixão pelos teus pais tal como eu pelos meus e por isso me identifico contigo!
amiga força e daqui ao ceu não um mas dois beijinhos muito especiais!
De María a 19 de Março de 2008 às 12:21
Tiveste um rico Pai e ele uma rica Filha :)

Feliz Dia do Pai :D

Bjnhos grandes
De sofia e beatriz a 19 de Março de 2008 às 12:28
Bem Maria... estou de lágrimas nos olhos :(
Não tiveste uma vida fácil, apesar de todo o Amor, que vos unia!
Aliás, acho que é esse mesmo Amor, que faz com que as pessoas lutem e andem para a frente.
Desejo-vos tudo de bom! E o teu Pai, está lá em cima, e orgulhoso de vocês- não tenho dúvidas!

Beijinhos Nossos
De Paulananet a 19 de Março de 2008 às 12:44
Obrigada pelo teu comentário e pelas tuas palavras de força. Uma beijoka :)
De Nany a 19 de Março de 2008 às 13:17
Pai é aquele que ama, que acarinha, que joga à bola, que ralha, que aconchega o cobertor, que ensina, que se deita no chão e rebola, que abraça, que dá a mão e nos faz acreditar que somos o melhor do mundo.
Um feliz Dia do Pai
De Marita a 19 de Março de 2008 às 13:32
Este post foi uma linda homenagem ao teu Pai.
Esteja onde ele estiver, estará concerteza muito orgulhoso de ti e do netinho que lhe deste.

beijinhos doces
De Maganita a 19 de Março de 2008 às 13:51
Bem...eu nem sei por onde começar...Deixaste-me comovida com a tua história. É a história de uma grande mulher. A vida não te tem sido nada fácil, minha querida, mas tal como tu, eu acredito que as pessoas permanecem vivas enquanto viverem dentro de nós. Os teus pais estarão sempre presentes na vossa vida, assim como o amor que lhes tens.

Um grande beijinhos para ti neste dia especial
De Patty a 19 de Março de 2008 às 14:06
Depois de ler este post, deu-me vontade de ir bater : ), pois deixaste-me de lagriminha no olho!! É tão difil vermos quem gostamos a sofrer, não é?
Este Dia do Pai, é o 1º em 30 anos que não me apetece festejar. Talvez daqui a uns dias tenha motivos para festejar este dia 19, mas hoje não é esse dia!!
Beijoquinhas grandes!

De Golfinho a 19 de Março de 2008 às 14:33
Minha querida, não tenho palavras... Fiquei muito emocionada...

Um beijinho grande!!!

Feliz dia do Pai para o outro pai da tua vida, o pai do teu menino lindo!
De G. a 19 de Março de 2008 às 14:45
Olá Maria
Só posso dizer que és uma grande mulher. Acho espantosa a tua maneira de escrever, que reflecte tão bem aquilo que te vai na alma. Nem toda a gente tem a coragem que tu tens para escrever um texto assim tão bonito e sentido!
um beijo grande

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